Foto: Tadeu Santos
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A opção pelas termelétricas mostra que os administradores do Brasil, mais uma vez, atropelam os reais interesses da nação e a responsabilidade do governo sobre a qualidade de vida e bem estar dos brasileiros, bem como seu compromisso com a conservação dos recursos naturais.
Hipocrisia de lá, ignorância de cá, e muitos dólares... Eis a eterna fórmula para satisfazer os interesses econômicos subjetivos e suspeitos que mantém os países em desenvolvimento no seu devido lugar, esgoto e mina de ouro das potências do 1º mundo. Todos estão carecas de saber o quanto o fóssil e poluente carvão está comprometendo os recursos hídricos, a Mata Atlântica, o solo e o ar nas regiões em que foi adotado.
Além do polêmico anúncio da construção da termelétrica no Rio Grande do Sul e da retomada das nucleares, outra questão compromete a participação da Ministra de Minas e Energia Dilma Rousseff como representante da América latina e Caribe na Conferência Internacional de Energias Renováveis que inicia hoje em Bonn. Em reunião com diversas entidades ambientalistas, no dia 17 de maio, Dilma teria dito que o governo federal não tinha interesse em tocar termoelétricas a carvão e nem usinas nucleares. Depois da mentirinha, a ministra vai agora à Alemanha defender as hidrelétricas como alternativas de energia limpa, aptas a receber cerca de US$ 200 milhões em investimentos que o Bird – Banco Mundial, pretende destinar a energias renováveis.
Para os ambientalistas, as hidrelétricas também não se encaixam no conceito de `novas` fontes renováveis de energia, como a solar, a eólica (do vento), a biomassa, as marés e as pequenas centrais hidrelétricas (PCH). Embora sejam renováveis no sentido técnico - os rios não acabam, como o petróleo, - podem provocar vários problemas. `As grandes barragens feitas para gerar energia causam enormes impactos sociais e ambientais`, afirma Dialetachi. `Elas inundam grandes áreas, desalojando pessoas e causando mudanças microclimáticas.`
Em meio a todo esse contexto, é lançado mundialmente o hollywoodyano “O dia depois de amanhã”, alertando, sem abandonar os efeitos especiais e heroísmo típicos, sobre as possíveis catástrofes naturais que podem ocorrer em função do aquecimento global. Alguns afirmam que o filme seja uma alfinetada à recusa da ditadura Bush em ratificar a assinatura de Kyoto.
Mas, saindo da ficção da telona para o teatro da vida real, enquanto o mundo não acaba, somos obrigados a passar o dia do meio ambiente com um saquinho de pipoca na mão, assistindo a mais uma encenação concorrendo ao Oscar, da tragicomédia encenada pelos gestores das nações, em mais um encontro de cúpula pra Inglês ver.
Deixando o pessimismo realista (ou vice-versa) de lado, vamos aguardar os resultados que serão anunciados ao final da Conferência de Bonn, e os que não se comenta muito – a esses é que se deve dar atenção. Vamos esperar para ver se surtirão algum efeito nos dias depois de amanhã. Porque os resultados que se têm hoje das reuniões do passado, não animam a assistir a mais outro filme com o final previsível.
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